domingo, 22 de janeiro de 2012

Como eliminar as serrilhas na impressão?

Neste estudo de casos, Tarsis Bianchini, diretor comercial da Agabê, detalha todos os pontos a serem levados em consideração para evitar imperfeições que resultam em serrilhas na impressão serigráfica
Algumas pessoas têm a noção de que a serigrafia é um processo de impressão de qualidade inferior, quando comparada com outros processos gráficos. Acham normais falhas como serrilhas (pouca definição no contorno da imagem impressa), perdas dos detalhes finos, ganho ou perda de pontos, variação de cor e/ ou do registro entre cores impressas e baixa produtividade, entre outros pontos. Cabe a nós, profissionais da serigrafia, mostrar ao mercado, que nosso processo gráfico permite além de uma das melhores qualidades de impressão, altíssima flexibilidade e resultados surpreendentes. Neste estudo de casos, apresentamos como garantir a eliminação da serrilha (baixa definição da imagem impressa) e assim a perfeita reprodução de nosso original.
“Tenho que imprimir uma camiseta escura com a melhor qualidade possível. Além de retículas, tenho letras que precisam ficar impressas perfeitas, sem a menor serrilha. Como vou utilizar plastisol, tentei imprimir com um tecido de Poliéster de 120 fios/cm, mas apesar da qualidade da definição ficar satisfatória, a impressão ficou com pouca cobertura e sem vida. Meu fornecedor de tinta disse não ser possível fabricar uma tinta mais concentrada, com maior poder de cobertura. Tentei usar uma tela mais aberta (poliéster com 77 fios/cm), mas o serrilhado nas letras inviabilizou o resultado, sem contar com o ganho de pontos nas retículas e moiré. Impressão sobre impressão também já foi tentada, mas não consegui um perfeito registro das duas impressões e o resultado ficou terrível. O que tenho que fazer para conseguir ao mesmo tempo a deposição de tinta necessária e a qualidade de impressão desejada?”
Este caso é bastante ilustrativo para mostrar a versatilidade e a qualidade do processo serigráfico.
Podemos definir a serigrafia como um processo industrial para a deposição controlada e com produtividade, de qualquer material fluido: tintas, adesivos, produtos condutores de calor ou energia, gel, silicone, produtos farmacêuticos e alimentícios. Utilizando a serigrafia, podemos imprimir sobre qualquer material, forma ou tamanho. O processo pode ser manual ou com impressoras totalmente automatizadas.
Além disso, utilizando os conceitos corretos, também temos a liberdade de controlar a deposição de material, sem alteração da qualidade de definição da imagem impressa. Enquanto que pelo processo de offset estamos limitados à somente algumas micra de altura de tinta impressa, por serigrafia, podemos ultrapassar um milímetro (1.000 micra!) de depósito, com apenas uma impressão.
Um conceito fundamental é saber que o tecido da matriz serigráfica determinará o depósito de tinta e está relacionado com a ancoragem da camada fotográfica. Uma tela mais fechada como a de 165 fios/cm linear gerará um menor depósito de tinta do que uma tela mais aberta como a de 90 fios/cm. Já uma outra ainda mais aberta, como a de 55 fios/cm permitirá um fluxo ainda maior durante a impressão e conseqüentemente, maior deposição.
Uma emulsão de baixa qualidade não tem a capacidade de gerar um recorte da imagem independente da trama dos tecido. Ou seja, os bordes da imagem acompanhavam o quadriculado dos fios, que causam falhas na impressão como o serrilhado.
Hoje, com as emulsões modernas de maior qualidade, o recorte da imagem é totalmente independente desse quadriculado. Elas conseguem reproduzir fielmente o original, seja numa tela mais fechada ou mais aberta. Por exemplo, na seqüência de fotos (quadro1), poderemos comparar os recortes de alguns detalhes, fotografados com uma emulsão de perfeita definição em uma tela de 32 e de 110 fios/cm, onde podemos visualizar que o recorte da imagem independe do quadriculado dos fios do tecido.
Podemos realçar um importante conceito: uma boa emulsão garante a perfeita definição da imagem, mesmo para trabalhos que requeiram tecidos mais abertos e maior passagem de tinta.
Portanto, no problema citado inicialmente, basta trabalhar com uma emulsão de alta qualidade e poderemos usar telas mais abertas, de acordo com a necessidade de aumentar a deposição de tinta (melhor cobertura), sem prejuízo à qualidade da reprodução da imagem.
Como outros fatores também podem interferir no resultado, apresentamos a seguir uma análise de todas as causas que podem sacrificar o contorno da imagem e gerar impressos de baixa definição. É importante entender claramente cada um destes fatores e evitar sua interferência, para garantir a perfeita reprodução do original.

     Baixa qualidade do original ou do fotolito


Se partirmos de um fotolito de baixa qualidade (por exemplo, gerado a partir de uma saída de baixa resolução), teremos com certeza impressos com serrilhas. Uma boa emulsão com certeza reproduzirá todas as falhas e imperfeições, como podem ser vistas nas fotos seguintes. Quando utilizamos um positivo produzido por uma impressora de jato de tinta de 200 dpi de resolução, o recorte de imagem da matriz não será perfeito e conseqüente, sua impressão terá serrilhas.
É importante controlar a qualidade da arte final, do positivo ou da saída digital. Sugerimos utilizar saídas com resolução gráfica acima de 1.200 dpi. Neste caso, uma das emulsões das linhas Dualfilm ou Unifilm gerarão um recorte perfeito, independente da trama dos fios do tecido.
A emulsão selecionada não permite boa definição (recorte pobre e baixa planeidade):
Para uma perfeita qualidade da imagem impressa, a emulsão serigráfica tem que garantir bordas bem definidas e camadas planas. Este é um dos conceitos mais importantes deste estudo de casos.
Durante o processo de impressão, a tira de poliuretano do rodo pressiona a matriz serigráfica contra o substrato e faz a tinta escoar pelas aberturas do tecido (Esquema 1). Conforme a tinta passa pela tela, ao tocar no substrato (base), flui horizontalmente até encontrar a borda da emulsão, preenchendo todo o volume delimitado pelo tecido que está acima, emulsão fotográfica pelos lados e o substrato por baixo. A continuação do movimento da tira de poliuretano remove o excesso de tinta pelo lado interno da matriz (Esquema 2). Assim que o rodo de impressão passa, o tecido serigráfico, graças à sua elasticidade, distancia-se da base (vence o fora contato), deixando a tinta impressa (Esquema 3).
Quando a camada de emulsão é plana, haverá sempre uma limitação bem definida para o escoamento da tinta, proporcionando uma impressão perfeita. Estes conceitos podem ser facilmente visualizados na foto a seguir, feita com ampliação de 300 vezes, de uma matriz feita com a emulsão Dualfilm SA Plus corretamente aplicada, fotografada e revelada. Além de um recorte perfeito, podemos notar a planeidade da camada externa.
Se a camada de emulsão não for plana, a tinta pode penetrar por baixo das irregularidades, degenerando a qualidade da imagem impressa.
Podemos comparar o processo de impressão serigráfico com o de injeção de uma peça plástica. Se o molde não fechar bem, haverá infiltração do plástico liso e conseqüentemente as indesejáveis falhas de injeção (rebarbas).
A Agabê produz emulsões com fotopolímeros, que através de um processo simples de aplicação, permitem obter excelentes características de planeidade e bordas bem definidas. Além disso, ganham em resistência química e são mais sensíveis à luz, o que facilita a execução de matrizes com camadas espessas. Para a preparação das matrizes, uma dica é consultar o Manual Agabê, para selecionar a emulsão ideal para seu serviço.
Com a matriz na posição vertical, aplicar a emulsão de uma a duas camadas pelo lado externo, que é o lado do substrato. Em seguida, sem secar, aplicar duas ou mais camadas pelo lado interno, que é o lado do rodo de impressão, forçando a emulsão para fora.
O número de aplicações pelo lado interno determina a espessura da camada pelo lado externo.
Após a secagem, podem ser aplicadas camadas adicionais no lado externo para melhorar a planeidade ou adequar a espessura final. Definir para cada caso, o processo ideal de emulsionamento, em função da deposição desejada, nível de detalhes, substrato, fonte de luz, tipo do tecido e emulsão.
Um conceito fundamental é saber que o tecido da matriz serigráfica determinará o depósito de tinta e está relacionado com a ancoragem da camada fotográfica.

     Camada da emulsão no lado interno da matriz 


No item anterior, discutimos a importância da planeidade para delimitar escoamento da tinta durante a impressão e conseqüente perfeita definição da imagem depositada.
O nível dessa planeidade está diretamente ligado à emulsão (as emulsões com fotopolímero geram camadas mais planas que as outras), ao processo de emulsionamento (uma aplicação incorreta sacrifica todo o resultado final) e também ao processo de secagem.
Após a aplicação da emulsão, deixála secar completamente, na posição horizontal, com o lado externo voltado para baixo (esquema 4).
Nunca inverter a posição de secagem, pois a ação da gravidade prejudicará a planeidade (esquema 5).
Quando a camada for fina poderemos deixar a matriz secar na vertical.

    

     Baixa espessura da camada de emulsão 


Para uma impressão perfeita, é importante que o tecido da matriz não fique em perfeito contato com o substrato. Isto pode bloquear parcialmente o escoamento da tinta e causar falhas de impressões em algumas áreas (esquema 6). O recorte da emulsão pode ser perfeito, a camada plana, porém a qualidade da impressão estará comprometida pela interferência dos fios do tecido.
Por isso, para que a tinta impressa não apresente as marcas do tecido e não haja falhas de impressão como perdas ou ganhos de pontos em uma quadricromia, temos que construir uma fina camada de emulsão pelo lado externo (esquema 7). Para obter esse resultado, temos que aumentar o número de demãos pelo lado interno, sem secagem intermediária ou utilizar uma emulsão com maior teor de sólidos. A espessura ideal da camada de emulsão que estará pelo lado externo da tela (eom) deverá variar de 10% (para a impressão de retículas) a 25% (letras e traços). Para finalidades especiais, estes valores podem ser alterados. Aconselhamos o uso de um medidor de espessura, para o controle do processo de aplicação de emulsão.

     

     Espessura irregular da camada fotográfica da matriz


O resultado de um processo correto de emulsionamento é uma camada plana, externa e com espessura uniforme. Camadas com espessuras variadas ou com riscos comprometem a qualidade da imagem impressa.
Para a aplicação manual, utilize o Agabê Aplic. Esta ferramenta possui laterais plásticas removíveis que facilitam a limpeza e seu perfil ergonômico permite a inclinação ideal para a aplicação da emulsão. É feito em alumínio anodizado, com dois tipos de bordas para deposições diferentes.
Utilize um aplicador que cubra a largura total do desenho. Nunca use um aplicador pequeno em passadas paralelas. Isso formará uma camada não uniforme.
Antes de aplicar a emulsão, limpe o tecido completamente, para garantir a uniformidade da camada, uma perfeita adesão da emulsão e aumento da vida útil da matriz. Para a remoção de contaminantes oleosos e partículas de poeira, usar o condicionador Decaprep.
Como este produto otimiza as características de fluidez da emulsão pelo tecido durante o emulsionamento, ele reduz o aparecimento de bolhas e melhora a uniformidade e a planeidade das camadas de emulsão aplicadas na matriz.
Também devemos ficar atentos a outras causas que podem gerar camadas de emulsões com espessuras irregulares, como tensão incorreta do tecido, não deixar a tela secar completamente antes de emulsionar, perfil do aplicador danificado e tecido contaminado por tintas do serviço anterior.


     Tela branca causando difração (espalhamento) de luz


Estão disponíveis no mercado, tecidos brancos ou amarelos.
No tecido branco, os raios de luz sofrem difração durante a exposição, causando uma degeneração da imagem fotografada. Pode-se observar na foto abaixo, a perda de nitidez das bordas da imagem devido ao espalhamento de luz nos fios brancos. Tecidos amarelos eliminam esse problema, permitindo melhor definição e resolução da imagem fotografada.


Estrutura de fios do tecido padrão tafetá comprometendo a qualidade de                  impressão


Os tecidos técnicos usados nas matrizes serigráficas podem ser fabricados nas estruturas de trama padrão sarja ou tafetá. O padrão tafetá deve ser preferido, pois cada fio da trama passa alternadamente por cima de um fio da urdidura e por baixo do próximo (estrutura 1:1), proporcionando melhor qualidade de impressão frente ao padrão sarja. No padrão sarja, as estruturas podem ser 2:1, 2:2 e até 3:3. Isto pode ser facilmente comprovado, quando comparamos os valores de Rz (nível de planeidade) da camada de emulsão aplicada em telas com diferentes padrões. Além de prejudicar a definição da imagem impressa, o padrão sarja pode gerar moiré, gerar perda dos detalhes finos e alterar a deposição da tinta e conseqüente cor impressa.
Podemos realçar um importante conceito: uma boa emulsão garante a perfeita definição da imagem, mesmo para trabalhos que requeiram tecidos mais abertos e maior passagem de tinta.

Tempo de exposição inadequado


O tempo de exposição determina a qualidade da definição e resolução da imagem e a durabilidade da matriz. Durante a exposição, o lado externo da camada fotográfica reage inicialmente com os raios de luz. Com o passar do tempo, o endurecimento vai se completando também nas camadas mais internas da emulsão. Se o tempo de exposição excessivo haverá uma perda de definição e resolução, devido à difração de luz..Determinar o tempo de exposição ideal para o total endurecimento da camada fotográfica.

     Revelação imprópria


Dirija um jato suave de água, uniformemente por toda a matriz, em ambos lados. Lavar até que a imagem apareça totalmente, e as áreas não expostas fiquem livres de resíduos. Para matrizes com tecidos muito abertos ou com camadas espessas, deixa-las submersas por alguns minutos antes de usar o jato de água.
Use maior pressão somente pelo lado externo e tenha cuidado para não danificar a emulsão. Avalie o endurecimento fotográfico observando a escala de exposição. Se necessário, expor outra matriz com os parâmetros corretos.
Lembre-se: forçar a revelação de uma boa emulsão, para abrir os detalhes finos e conseguir a qualidade desejada significa que algum parâmetro está fora de controle.
Com este Estudo de Caso, pudemos comprovar alguns conceitos muito importantes como o fato de que uma boa emulsão garante a perfeita definição da imagem, mesmo para trabalhos que requeiram tecidos mais abertos, e maior passagem de tinta. Porém também podemos afirmar que a emulsão não faz milagres. É fundamental que conheçamos outras variáveis que podem sacrificar a qualidade da definição da imagem impressa. Esperamos que possamos ter colaborado no seu aprimoramento técnico e melhorado a imagem da serigrafia.”

Fonte: Agabe
www.agabe.com

domingo, 1 de janeiro de 2012

SEGREDOS PARA UMA IMPRESSÃO DE QUALIDADE EM SERIGRAFIA

Segredos de uma boa impressão

Se você deseja obter uma impressão de alta qualidade você precisa entender que a matriz serigráfica é o alicerces  para você construir uma boa impressão em serigrafia.
Uma matriz de baixa qualidade vai gerar uma impressão semelhante. Sempre que sou chamado para avaliar uma impressão , começo analisando a primeira etapa deste processo, ou seja, a pré-impressão. Certa ocasião fui chamado por uma empresa para avaliar um problema que estava acontecendo  em  sua produção. Eles estavam tentando imprimir uma imagem complexa em papel com tinta UV dourada. Mas não estavam conseguindo registrar a cor na hora de imprimir.  Avaliei a imagem do filme em relação a imagem gravada na matriz e notei que a imagem depois de gravada apresentava uma ligeira distorção que impedia  o registro das cores. Analisando o problema descobri que as telas utilizadas na produção estavam sendo usadas com  um tempo muito curto após a sua esticagem.  Em serigrafia todas as telas esticadas devem ser utilizadas para gravação  depois de 48 horas de descanso.
Acontece que os tecidos utilizados em serigrafia são confeccionados com materiais que possuem  uma certa elasticidade , mas comumente os fios de nylon ou poliéster, sendo o poliéster o mais utilizado, devido as suas propriedades, como estabilidade, etc.  Esses materiais após esticagem,  precisam de um tempo de 48 horas para estabilizar e reorientação dos seus fios. Por isso , nunca utilize uma tela com menos de 48 horas de descanso para imprimir imagens com mais de uma cor, principalmente trabalhos de quadricromias.
Esta é a primeira dica para uma impressão com qualidade. Estaremos dando outras dicas nas próximas postagens.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

IMPRESSÃO FLEXOGRÁFICA

Flexografia - Sistema de impressão Revelográfico

Introdução


Histórico
O sistema de impressão flexográfica pode ser considerado um avanço do sistema de impressão tipográfico, ou podemos dizer que a impressão flexográfica se inspirou na tipografia (que por sua vez se inspirou na xilogravura).
No início do século o sistema já era utilizado, porém em pequena escala, por volta de 1920 o processo de impressão começou a ser utilizado em grande escala.
A princípio o nome do sistema de impressão era anilina, pois utilizava tinta à base de corantes de alquitrán ( da mesma família dos óleos de anilina).
Como o termo anilina (derivado de alquitrán - substância tóxica) dava a impressão que produtos impressos pelo sistema poderiam causar algum mal para quem os utiliza-se, então fornecedores, vendedores, ... preocupados com esse impacto negativo resolveram lançar a proposta para a escolha de um novo nome. (nesta fase já utilizava pigmentos com características iguais aos outros processos de impressão).
Foi lançado em uma revista da área a proposta para a escolha de um novo nome, de onde se escolheu o nome Flexografia dentre muitos nomes enviados para a redação da revista.
Durante muito tempo as impressoras flexográficas não receberam a devida atenção de fabricantes de máquinas gráficas, no início eram máquinas grandes e desengonçadas, apresentavam muitas variações durante o processo de impressão, eram difíceis de ser operadas e perigosas. Muitas vezes eram fabricadas na própria gráfica.
Após a 2ª guerra a Flexografia deu grandes passos em termos de evolução e utilização.

Flexografia


Definição: a definição oficial do termo foi - um método de impressão tipográfico rotativo que emprega pranchas (formas) de borracha e tintas líquidas de secagem rápida.
O sistema de impressão flexográfica tem como características principais a utilização de uma forma flexível em alto relevo, utilização de tinta líquida (à base de água ou solvente), sistema de impressão direto.

Forma

Para entendermos melhor o princípio da forma flexográfica podemos pensar em um carimbo, onde será entintada somente as áreas que estão em alto relevo (característica vinda da xilogravura).

Esta forma será fixada no cilindro porta-formas na impressora, onde através de sistemas apropriados de entintagem, será realizada a aplicação da tinta na superfície da imagem em alto relevo. Existem diversos tipos de formas que podem ser utilizados em flexografia, dependendo das características do impresso a se reproduzir, máquina à ser utilizada, substrato que será utilizado na impressão etc. (veremos melhor sobre formas no item Fomas).

Tintas

A tinta utilizada em flexografia é uma tinta líquida, podendo ser usado como agente de cor corante ou pigmento.
Essa tinta pode ser à base de água ou solvente, ou seja, a resina é solúvel em água ou solvente (dependendo das características e utilização do impresso a se obter).
Devido a característica de utilizar tinta líquida (e forma em alto relevo), o sistema de impressão flexográfica é um dos sistemas mais versáteis que existe, podendo fazer a impressão em diversos substratos, como papel, plásticos, sacos de ráfia, papelão ondulado, cerâmica, etc (com a utilização de máquinas especialmente fabricadas para cada utilização).
A impressão em substratos impermeáveis pode ser obtida devido ao fato da tinta ser líquida e de secagem extremamente rápida (com auxílio de aquecedores e ventiladores instalados no percurso do substrato após a impressão.

Sistema de impressão direto
 
Entendemos por este nome, que o sistema de impressão flexográfico realizará a impressão através da transferência da tinta da superfície da forma diretamente para a superfície do substrato (como um carimbo), sem que essa tinta passe por outras etapas antes de atingir o substrato. (como ocorre em offset).
As impressoras flexográficas podem ser fabricadas conforme a necessidade do produto à ser impresso (cerâmica, papelão ondulado, papel, plásticos etc), sendo que em cada sistema será utilizado um modo específico de alimentação do substrato na impressora, podendo ser alimentação com bobinas, com folhas cortadas, com esteiras que prendem o substrato para receber a impressão etc.
Podem ser encontradas máquinas que possuem uma unidade de impressão (uma cor), como máquinas que possuem 10, 12, 14 unidades impressoras, podendo ser realizado a impressão somente na frente do substrato como também a impressão de frente e verso em uma única passagem pela máquina.
O sistema de saída da impressora (sistema de recepção), também varia muito de máquina para máquina, ou conforme o tipo de impresso realizado. Poderemos encontrar sistema de saída em bobinas, folhas, cartuchos (saída com corte e vinco) cadernos (editoria) entre outros, conforme necessidade.

A Impressora Flexográfica é composta basicamente por:

- sistema de alimentação
- conjuntos impressores
- sistema de secagem
- sistema de saída

 

Campo de aplicação da Flexografia


A flexografia possui um campo muito vasto de aplicação, pode-se projetar máquinas para realizar a impressão de determinados tipos de substratos, conforme a necessidade.
Como campo básico de aplicação posso estar citando:
Embalagens: altamente utilizado, muitos impressos em embalagens flexíveis são hoje impressos em flexografia, devido a evolução do processo num todo (tinta, formas, entintagem, suportes, eletrônica, etc)
Editoria: para editoria posso estar citando principalmente a impressão de cadernos, algumas revistas, livros. Porém o forte da flexografia ainda seja as embalagens.
Jornais: coloco aqui jornais para relatar que em alguns países estão sendo feita a impressão de jornais no sistema de impressão flexo, porém não seja muito comum (os jornais são impressos principalmente no sistema de impressão offset).
Diversos: papel de presente, sacos e sacolinhas, cerâmica, rótulos e etiquetas adesivas, impressos de segurança.

Vantagens da Flexografia


Uma das vantagens da flexografia é a capacidade para imprimir sobre uma ampla gama de substratos, desde ásperos e grossos até suaves e lisos, desde papel absorvente até suportes brilhantes e de alumínio.
As tintas líquidas são de rápida secagem, podendo-se imprimir sobre substratos não absorventes, necessitando geralmente de um sistema de secagem composto por aquecedores, ventiladores e exaustores, para uma perfeita secagem da tinta sobre o substrato.
Tintas à base de água, diminuindo a poluição e o forte cheiro dos solventes.

Possibilidade de
mudar o diâmetro do cilindro porta-formas, resultando isto em um melhor aproveitamento do substrato como da forma. Pode-se preparar a montagem do próximo trabalho (colagem da forma no porta-formas) enquanto a impressora ainda está imprimindo outro trabalho.
Possibilidade de adaptar diversos sistemas de saída, como por exemplo com corte e vinco, hot-stamping, cadernos, etc.


Vídeo da Clicheria Flexo Kromos

QUADRICROMIA “A ARTE DA REPRODUÇÃO DAS CORES”





Em artes gráficas, existem basicamente duas formas de se reproduzir uma cor: através de cores chapadas, já na tonalidade final (mistura física de cores), ou através da técnica de Quadricromia.
A Quadricromia é uma técnica de impressão, que permite reproduzir, com extrema fidelidade, qualquer cor ou tonalidade (efeito ótico), através de 4 cores transparentes, independentes e sobrepostas: cyan (azul), magenta (vermelho), amarelo e preto, preparadas segundo a Escala Europa. Como são tintas transparentes, somente podem ser impressas sobre um fundo branco.









EVITANDO O EFEITO MOIRÉ

As causas da ocorrência do efeito moiré pode ser desconhecida por alguns serígrafos. No entanto, existem procedimentos que podem reduzir ou evitar este padrão nas impressões por serigrafia. Confira a seguir algumas dicas para reduzir o moiré e, desta forma, evita eventuais perdas.





O efeito moiré é o principal vilão da prática serigráfica. É ocasionado pela interferência repetitiva de retículas geometricamente iguais. Este fenômeno faz com que a impressão fique descontínua, com efeitos muito perceptíveis.
Para piorar ainda mais, este efeito pode aparecer também pela inclinação incorreta entre  o filme e o tecido, neste caso, “o efeito moiré surge da coincidência do ponto da retícula com o tecido da malha”, ocasionando um segundo efeito moaré. Ninguém merece! “O moiré aparece com maior facilidade em retículas mais finas, acima de 25 linhas por centímetro. Em retículas mais abertas e tecidos mais fechados, a ocorrência do moiré é mais difícil”.

Dicas para evitar o efeito moiré

  • Escolher pontos maiores de retícula, combinando com o material que vai ser impresso;
  • Evitar retículas muito finas (acima de 28 LPC), quando a impressão utiliza tintas à base de solvente ou UV;
  • Quanto mais fina a retícula maior a probabilidade de ocorrência do moiré;
  • Esticar bem o tecido, seguindo as orientaçãoes do fabricante de tecidos;
  • Utilizar tecido tingido e emulsão de boa qualidade;
  • Usar tinta de qualidade;
  • Utilizar equipamento para impressão a vácuo de qualidade;
  • Os filmes devem ter inclinações de retículas de : 7,5º para o Preto; 37,5 para magenta; 67,5º para Cyan e 82,5º para o amarelo;
  • Escolher as retículas elípticas (AM) ou quando possível estocásticas (FM).

O fabricante suiço de tecidos sefar, disponibiliza aos serígrafos uma tabela com padrões de prevenção de moiré de acordo com a relação entre filme e tecido.



domingo, 18 de dezembro de 2011

GLOSSÁRIO DE ARTES GRÁFICAS

GLOSSÁRIO DE ARTES GRÁFICAS


No dia-a-dia de quem trabalha com editoração eletrônica, pré-impressão e impressão, comprando ou produzindo, existem alguns termos corriqueiros que são incorporados ao nosso vocabulário. Muitas vezes, embora os repitamos com naturalidade, o verdadeiro significado é desconhecido. Por isso Dr. Silk elaborou esse glossário onde você poderá encontrar alguns dos termos mais utilizados com sua "tradução". Vale a pena dar uma olhada.

Editoração eletrônica - Pré-Impressão:

· Tiff / tif (Tagged Image File Format) - é a imagem mais versátil para uso geral em editoração eletrônica.

· EPS (Encapsulated PostScript) - é um formato básico em editoração eletrônica.
Contém as mesmas instruções postScript que o computador envia a impressora para imprimir o documento. Formato usado para transferir desenhos vetoriais, bitmaps ou páginas inteiras entre um programa e outro.

· Bitmap (mapa de bits) - uma imagem subdividida em pontos coloridos (pixels).
Permite a visualização de fotos usadas em programas de edição de imagens, como
Photoshop.

· Desenhos Vetoriais (curvas) - a descrição geométrica de uma figura por meio de coordenadas de pontos e curvas (vetores). Freehand, Ilustrator e CorelDraw são
programas vetoriais.

· Resolução - relação entre a quantidade de pixels que compõem uma imagem. Quanto maior a resolução, maior é a nitidez e o tamanho do arquivo.

· PostScript - a principal linguagem de comunicação entre computadores e impressoras.
É fundamental nos programas de editoração eletrônica.

· DCS (Desktop Color Separation) - é um tipo especial de EPS desenvolvido para
separação de cores. São quatro arquivos para impressão que contém todas as
características de cada uma das cores CMYK (quadricromia) + um arquivo com a
representação de todas as cores compostas, em formato PICT de baixa resolução.

· PICT - formato nativo em Macintosh. Praticamente qualquer software é capaz de
reconhecê-lo.

· TRAP - é o encaixe que existe entre cores adjacentes no fotolito. Quando geramos um fotolito pelo computador, áreas de cores adjacentes podem ficar tão milimétricamente justas que é inevitável para a gráfica realizar a impressão sem que apareça um filete branco entre elas (falta de registro).

· Trapping - é o resultado do encaixe da tinta no papel. Trappings maiores ocorrem em papéis mais absorventes.

· Knockout - é a reserva de cores. A tinta sempre imprime no papel branco, e não sobre áreas já impressas. É o oposto do overprint (sobreposição). Na editoração eletrônica é preciso tomar cuidado para que não ocorram reservas desnecessárias, isto é, a cor preta "furar" a cor de fundo. A cor preta sempre imprime em overprint.

· Overprint - impressão sobreposta. A cor em primeiro plano é impressa sem que a cor que está em segundo plano seja retirada.

· PPD (PostScript Printer Description) - descrição de uma determinada impressora ou imagesetter. Drive de impressão PostScript.

· RIP (raster image processor) - usado para processar o arquivo em uma saída de filme, ou impressora.

· Memória RAM (memória de acesso aleatório) - é a área que o computador usa quando não se salva um arquivo, isto é, os elementos processados que estão na tela.
Recomenda-se que a RAM de uma máquina deva ter pelo menos três vezes, em média, o tamanho dos arquivos que trabalhamos.

· Arquivo fechado - arquivo salvo para uma impressora PostScript com todas as
configurações de saída de filme, lineatura etc.

· Arquivo aberto - arquivo salvo no próprio programa criado como por exemplo arquivos de Page Maker ou QuarkXpress.

· Ponto elíptico - usado em fotolito para reproduzir os meios-tons, com uma graduação mais suave dos tons.

· Dye-Sublimation - sublimação de cores. Usada em impressoras coloridas, que
imprimem em tom contínuo, semelhante a uma fotografia. Serve também como prova digital da editoração eletrônica, sem que se tenha a saída de filme.

· DPI (dots per inchs) - pontos por polegada. Unidade mais comum na editoração
eletrônica (desktop publishing). É a resolução bruta da imagem de um equipamento (por exemplo, scanner ou impressora).

· LPI (lines per inch) - linhas por polegada. É a unidade para guiar meios-tons. Indica o tamanho de ponto e da retícula obtidas na saída para impressão.

· 60 linhas / 60 LPC - equivalente a 150 LPI. É a resolução de saída de filmes mais utilizada em fotolito. Expressa em centímetro linear.

· 300 DPI - é a resolução de saída usada para reproduzir imagens, cromos e fotos para editoração eletrônica.

· Spot Color - cores especiais usadas em editoração eletrônica na escala Pantone. Cores puras usadas principalmente em logotipos e impressos personalizados.
· Process Color - CMYK - quadricromia pro-priamente dita.


Impressão – gráfica:

· Coat - revestimento. Diz-se de todo material depositado sobre uma superfície (verniz, tinta etc), para melhorar a qualidade de impressão.

· Lâmina - em impressão chamamos de lâmina o formato aberto do trabalho. Por
exemplo: 4 páginas correspondem a uma lâmina de impressão (dobrada) com duas
páginas na frente mais duas no verso.

· Página - cada uma das faces de uma folha de um impresso ou layout.

· 4x4 - expressão usada para designar uma impressão em quadricromia na frente e no verso de uma lâmina ou página. Existem variações: 4x1 (4 cores na frente e 1 no verso); 4x2 (4 cores na frente e 2 no verso) e 4x3 (4 na frente e 3 no verso) ou 

· Pantone Matchning System - sistema de seleção de cores desenvolvido pela Pantone Inc., a partir de 8 cores primárias especiais que são combinadas em mais de 740 tons diferentes. Esse sistema é amplamente utilizado pela indústria gráfica mundial.

· Moiré (pronuncia-se moarê) - padrões indesejáveis que ocorrem quando as
reproduções são feitas a partir de originais impressos.

· Links - são chamados de links todos os arqui-vos criados a partir de programas
vetoriais, imagens Tiff e EPS e fontes utilizadas no arquivo editorado e aplicados para a saída do filme.

· Escala de cores - é um guia de cores combinadas em C+M+Y, K+C, K+M e K+Y. A escala progressiva de 0 a 100% de densidade é usada habitualmente como referência na reprodução de cromos, simulando o resultado no impresso. Em tempo: C - cyan (azul); M - magenta; Y - yellow (amarelo); K - black (preto).

· Spread - o mesmo que páginas espelhadas ou consecutivas. Também chamadas de facing pages e são usadas para melhor aproveitamento na saída de filmes.

· Imposição - método de disposição de páginas de forma a aproveitar a folha onde o material será impresso, para que depois da dobradura e do corte do papel, as páginas estejam devidamente intercaladas e posicionadas.

· Direct to plate ou Computer to Plate (CTP) - método de impressão que dispensa fotolito. A imagem a ser reproduzida é aplicada diretamente sobre a chapa de impressão.

· Filmless - sistema de arquivo eletrônico usado principalmente nas tecnologias direct to plate e direct to press.

· Stripping - emendas e correções de última hora feitas no filme limpo. O stripping só pode ser aplicado em áreas livres de retículas. Quase sempre no filme do preto.

· Offset plana - impressoras que trabalham sobre papel em folhas.

· Offset rotativa - impressoras que trabalham com alimentação de papel em bobinas.
Esse tipo de impressora é indicada para rodar revistas, tablóides e jornais em função da sua alta produtividade e rapidez, além da facilidade de ter cadernos em sua saída.

· Tira-retira - termos usado em artes gráficas para designar o processo de cópia frente e verso numa única chapa. Assim é possível imprimir frente e verso numa única passagem.
Depois vira-se o papel e, utilizando a mesma chapa, casa-se a frente + verso e verso +frente.