domingo, 8 de setembro de 2013

NOÇÕES BÁSICAS DE ESTAMPARIA TÊXTIL




ESTAMPARIA


Para ajudar estudantes de moda e os demais profissionais ligados a serigrafia a entender melhor o trabalho de uma estamparia, preparamos este material apenas com os conhecimentos adquiridos em experiências, leituras, visitas à fabricas de tecido e malha, e feiras internacionais. Vamos tratar aqui neste trabalho, de estampas executadas sobre tecidos à metro, que denominamos de “Estampa Corrida”, e as estampas executadas sobre uma peça de tecido cortada, que denominamos de “Estampa Localizada”.


INTRODUÇÃO


Desde os primórdios dos tempos, desenhos, coloridos ou não, são aplicados em tecidos pelos seres humanos. Ainda hoje se usa métodos antigos, não só em comunidades sem acesso à tecnologia, como em ateliês que desejam reproduzir estas antigas técnicas, como batik e pintura à mão, por razões artísticas ou de estilo. A verdade é que ainda hoje as técnicas primitivas ainda fazem sucesso e conferem um charme especial, como alternativa à produção massificada.

Veja por exemplo as estampas de Bali, em batik, que já fizeram tanto sucesso, sobretudo em cangas e lenços. Os exemplos encontrados até hoje nas culturas asiáticas e africanas são exemplos riquíssimos de como cada cultura decora suas vestimentas, e demais tecidos do cotidiano e da decoração, com desenhos estampados.



Mesmo a estamparia à quadro manual, que utilizamos, é um método praticado há muitas décadas, mas que ainda não perdeu sua utilidade e praticidade. Em países onde a mão de obra é melhor remunerada, ela se torna economicamente inviável de ser executada manualmente, devido aos custos mais elevados que vão se agregar à estampa, além do nível de exigência de qualidade e acabamento que os países mais avançados estão habituados a encontrar em seus mercados.



Para isso existem diversos modelos de máquinas que conferem qualidade e alta produtividade à estamparia. Não só para a estampa corrida como nas estampas localizadas. Aqui no Brasil, os grandes fabricantes de tecidos, malhas e vestuário, também adotam as mais avançadas técnicas de estamparia mecanizada, com excelente qualidade e acabamento.



Mas quando a necessidade de urgência, de exclusividade e volumes mais baixos de produção se aliam, é quando as estamparias independentes, de menor porte, se viabilizam.

Neste caso, os processos manuais à quadro, ou seja, a serigrafia manual, torna economicamente viável o atendimento das necessidades de inúmeros empreendimentos, que desejam produzir artigos estampados, muitas vezes exclusivos, em quantidades compatíveis com o tamanho de seus negócios - normalmente empresas de pequeno e médio porte. Embora, algumas empresas maiores, também recorram às estamparias independentes e manuais para viabilizar prazos e designs exclusivos.


A estamparia manual é mais utilizada para pequenos lotes de produção, que podem ser de algumas dezenas de metros à alguns poucos milhares de metro (1 à 5 mil metros) pois, além disso, as próprias fabricas de tecido já fornecem o material estampado, na quantidade que for, por preços mais competitivos.



No caso de um cliente de moda infantil, que faz até 5 mil metros da mesma estampa em vários materiais diferentes, a estamparia manual pode ser mais competitiva do que abrir cilindros para maquinas rotativas em diversos fornecedores para estampar menores quantidades de cada material.



Antigamente, desde o século XIX, a estampa à metro era feita à quadro, à mão, sobre longas mesas, sendo que, ao longo do tempo vários aperfeiçoamentos e equipamentos foram sendo desenvolvidos para dar mais uniformidade e regularidade ao resultado do trabalho de estampagem, como carrinhos para portar os quadros, rodos com pesos para substituir a pressão braçal, acionados por alavancas, etc.



As modernas estamparias industriais se utilizam da estamparia mecanizada, à quadro ou com cilindros, que devido aos alto custo do investimento em equipamentos, normalmente estão associadas ao processo industrial das fabricas de malhas ou tecidos. Esse investimento é muito alto pois além da máquina de estampar, que já é cara, tem-se que adquirir também equipamentos para secagem e fixação da tinta, amaciamento e ramagem do material à metro, e rebobinagem de velocidade e precisão, para acompanhar a produção da máquina , que pode alcançar 80 metros por minuto. Certa tintas a base de corantes, ainda exigem uma sequência de vaporização, lavagem, ramagem e secagem que encarecem mais o processo.



Existem mesas à quadro automáticas, onde o tampo da mesa é uma esteira rolante e os quadros ficam instalados de forma a serem acionados mecanicamente, substituindo o trabalho braçal, com várias telas sequenciais, que vão subindo e descendo, imprimindo o material a medida que a esteira rolante vai adiantando o material num deslocamento pré-estabelecido (medida do rapport do desenho a ser repetido).



Os equipamentos mecanizados são construídos para atenderem a um determinado número de cores, normalmente 8 a 12 cores, que dá para executar uma variedade enorme de desenhos. Lembrando que superposições de cores geram outras cores, e que o recurso da quadricromia reproduz ilustrações ou fotografias com todas as cores.



O sistema manual, teoricamente não tem limite de cores. O limite é o resultado desejado e/ou, o custo que se esta disposto a pagar. Existem também mesas automatizadas, onde um carrinho mecanizado, com acionamento pneumático, recebe um quadro de cada vez, e imprime automaticamente cada cor. Neste caso também pode-se usar quantas cores se desejar.



Grandes estilistas, que criam estampas elaboradíssimas, com 20 cores ou mais, para fabricar meia dúzia de vestidos, que serão vendidos pelos “olhos da cara” para umas poucas abonadas, também usam estas mesas na Europa. Já foi exibido na TV um filme sobre Yves Saint Laurent que mostrava exatamente esta situação.



No caso da arte serigráfica, onde são criadas obras artísticas em série limitada, não é difícil de encontrar quadros realizados com dezenas de quadros. Já testemunhamos, numa exposição, quadros com 350 cores. Vários com mais de uma centena de cores. Imaginem o trabalho da separação de cores, da gravação das telas e da impressão - um investimento e tanto em tempo e material.


O DESENHO E A ARTE FINAL


O inicio de tudo se dá com a escolha e o desenvolvimento do desenho a ser reproduzido. Um desenhista experiente faz então a separação das cores, que consiste em se fazer um desenho separado para cada cor que compõe o desenho ou a arte desejada.



O conjunto dos desenhos da separação das cores constitui o que chamamos de “arte-final”.

Este processo é todo feito no computador, com grande precisão, e as artes finais impressas numa plotter de grande formato. A arte-final é encaminhada em seguida à confecção de telas, e vai resultar em uma tela para cada cor.

QUADROS, OU TELAS, OU MATRIZES


É a ferramenta fundamental do silk-screen, ou serigrafia. Basicamente é constituída da moldura e tecido, esticada e fixada na moldura. Originalmente os quadros eram esticados com seda, daí o nome seri (seda em latim) grafia, ou silk-screen ( silk = seda em inglês, screen = tela). Hoje utiliza-se normalmente um tecido técnico em poliéster, fabricado exclusivamente para este fim, devido à sua excelente estabilidade dimensional, que garante a consistência do registro das cores da estampa por várias produções seguidas.



Usamos os  tecidos de poliéster monofilamento, esticados nas altas tensões necessárias à obtenção de um quadro com características profissionais. É na qualidade da matriz que se garante a qualidade da produção e o registro das cores.



As molduras podem ser em madeira, alumínio ou ferro. Utilizamos  quadros, em medidas padronizadas, com molduras em perfil retangular de aço galvanizado, conhecido no mercado como “metalon”. O metalon é oferecido em várias bitolas e espessuras de parede, permitindo montar-se quadros com a resistência que se deseja, para suportar a alta tensão de esticamento das tela, que podem alcançar 28 Newtons, que é uma medida de força, ou tensão.



As telas são esticadas num esticador eletromecânico e a tensão desejada é controlada através de um tensiômetro, aparelho que se coloca no meio do quadro esticado, onde um mostrador indica a tensão obtida. O correto esticamento, na tensão adequada, é também responsável pela qualidade final da estampa; embora muita gente não se dê conta disso. Exija de sua estamparia quadros profissionais bem esticados.



Para que a estampa fique perfeita, contribuem vários fatores, sendo o mais importante o registro perfeito. Registro é o encaixe exato de cada cor do desenho nas demais cores que o compõe. Para conseguir isso as telas possuem 2 parafusos de apoio e outro com uma “chaveta”. Os parafusos regulam o movimento longitudinal e o angulo da estampa na hora do registro e a chaveta o movimento lateral. Estes três elementos, devidamente ajustados, permitem que se possa estampar cada cor no seu devido registro, estampa após estampa.



Numa estampa localizada, basta o cliente indicar num desenho a posição onde a estampa será aplicada. Não é necessário que o cliente coloque qualquer marcação nas peças que serão estampadas, como já vimos acontecer. Normalmente já gravamos as telas devidamente registradas e na posição correta para o tipo de peça aonde a estampa será aplicada. As telas são gravadas com a imagem de cada cor da arte-final.



Para isto utiliza-se uma emulsão fotosensível apropriada, que é aplicada uniformemente, e com muita técnica, ao tecido do quadro. Depois de seca, na posição horizontal - para não escorrer - a tela pode então ser gravada. Prensa-se a arte final ou o fotolito entre a tela e um vidro (com pesos ou com vácuo) e se expõe a à uma fonte de luz por um tempo determinado. A área da emulsão que recebe a luz, endurece. Após isto, com um jato de água molha-se a tela. A área protegida pela arte, que não recebeu luz e não endureceu se dissolve, deixando aberta a área por onde a tinta vai passar durante a impressão, reproduzindo o desenho original.



Para as artes mais complexas, como as retículas finas de uma quadricomia, separações indexadas ou mesmo na especialidade dos circuitos eletrônico impressos, utiliza-se emulsões sofisticadas que exigem uma fonte de luz com alto grau de emissão ultra-violeta para a perfeita gravação da imagem desejada. Usamos uma fonte de luz de preferência rica em raios ultra violeta, para a gravação de nossas telas.



Como se viu, telas serigráficas podem constituir um sofisticado instrumento de produção, quando preparadas com profissionalismo e com materiais e técnicas adequados.

Mas o mais comum é encontrar telas de madeira, mal esticadas com tecido inferior, o que permite à qualquer um iniciar uma operação de “fundo de quintal”.

ESTAMPA ROTATIVA DE CILINDROS


Estampas corridas realizadas em máquinas de estamparia, que utilizam até 12 cilindros que na prática é uma tela cilíndrica feita em níquel. Podem estampar algo como 80 metros, ou mais, por minuto.



O tecido é aderido à uma esteira e passa continuamente pela sequência de cilindros, cada um deixando impressa a arte de sua cor.



Com cilindros, pode-se estampar listras continuas no sentido longitudinal, o sentido do urdimento. Tecidos têm trama (transversal) e urdimento (longitudinal). Permite áreas contínuas chapadas de tinta; como áreas vazadas na cor do tecido, impossível de ser feito à quadro, onde a emenda de tintas sempre fica marcada e visível. Neste século 21 já começam a ser vendidas máquinas de estampar digital pelo processo de jato de tinta, como nas impressoras de computador.



Já existem há alguns anos para produção de mostruários em pequenos lotes; mas agora estão evoluindo, com maior velocidade, para a produção de quantidades comerciais. Mas mesmo assim, muito lentas ainda. É um cenário de futuro, com possibilidades fantásticas para a impressão de tecidos.





ESTAMPA LOCALIZADA


Estampas realizadas sobre peças cortadas ou confeccionadas como por exemplo, camisas. Podem ser manuais ou mecanizadas em carrosséis automáticos, como usam na Hering ou Sul Fabril, que possuem várias destas máquinas; normalmente a MHM Austríaca. Justificam-se quando os lotes de produção são grandes e muitos, como mais de 3.000 peças por estampa.



As estampas localizadas podem ser executadas na mesma mesa onde se faz as estampas corridas ou em placas, ou berços, individuais de alumínio com aquecimento, em carrosséis manuais, ou até mesmo em placas soltas de duratex.





ESTAMPA CORRIDA


Estampas realizadas em tecido ou malhas a metro. Como já vimos, manualmente ou mecanizadas.

O segredo da estampa corrida está em confeccionar a arte de forma em que cada batida consecutiva das telas, a emenda de uma batida com a outra não seja percebida; que a estampa mostre um continuum absolutamente uniforme, como se a emenda não existisse. 


Esta “emenda” chamamos de “rapport”, também chamada em português de “atacadura”.

Chamamos de rapport também a largura de cada batida, ou melhor , a distância entre as cruzetas de registro que define a distância entre os batentes da mesa que vão garantir o perfeito encaixe de cada batida consecutiva.


A arte gravada na tela da estampa corrida é, normalmente, composta de desenhos menores, ou módulos de repetição, que se encaixam perfeitamente em si mesmos por todos os lados. A técnica e a qualidade da execução do módulo de repetição é fundamental para o resultado final. Repetições mal resolvidas , vão gerar um tecido estampado com uma padronagem que parece “azulejada”, módulos perfeitamente discerníveis, quando êls deveriam estar com suas emendas invisíveis.



Há desenhos com módulos de repetição pequenos - 10cm - caso de florzinhas muito pequenas, como nas estampas “Liberty”. Ou podem tomar a tela toda, como numa estampa do estilista Pucci.





FALSO CORRIDO


Estampas realizadas sobre pedaços de tecidos cortado, ou paneaux, podendo ter ou não continuidade de emenda do rapport de uma estampagem para a outra.
Muito usada em pequenas estamparias que não possuem longas mesas de estampagem, para simular a estampa corrida. Neste caso os paneaux são enfestado e o corte riscado e efetuado. A perda de tecido é maior, mas é a única maneira de viabilizar um corrido simulado em uma pequena área.



Pode-se fazer falso corrido de forma corrida. Estampa-se como se fosse corrida, mas cada batida de tela não emenda com a outra. Tem-se que cortar depois em paneaux e enfestado (empilhado) como já mencionado.



Existem certa estampas onde isso é desejável. Por exemplo : estampar a bandeira do Brasil, uma atrás da outra em um tecido à metro; ou uma fantasia “bate-bola” para os blocos de clovis, que nos procuram todos anos ou vestidos, onde a flor principal tem que estar numa posição determinada: na altura do peito por exemplo ou fazer uma tela para estampar listras longitudinais num tamanho que dê para cortar uma calça, com uma tela com um rapport da dimensão necessária.



Na realidade, trata-se de uma estampa localizada feita em tecido à metro. Uma estampa localizada, executada como corrida.

Listras longitudinais não podem emendar pois ficam marcados na emenda da tinta sobre tinta. Nenhuma área continua pode ser estampada em estamparia de quadro, só com cilindros.


Para viabilizar a estamparia de quadros de certos desenhos, utilizamos recursos para permitir que cada batida flua para a outra sem emendas percebíveis. Usamos os elementos da estampa pra criar um caminho da emenda - raminhos, folhas, ou qualquer outro motivo que constitua a estampa.




TINTAS


Existem basicamente os seguintes sistemas de tinta para estampar tecidos:


COM PIGMENTOS


Pigmentos são matérias sólida, moída muito fina, em diversas cores.
Adicionada nas doses certas à uma base, ou pasta à base d’água, que contém fixador, emulsionador, amaciante, água e outros aditivos conservantes, constituem a tinta de estamparia.



Existem pastas (à base d’água) de cura ao ar (acrilica) ou de cura por calor. A pasta com resina acrílica, de cura ao ar, é muito usada em camisetas, e cura ao ar em 72 horas. São muito práticas para estampas localizadas, porém têm um toque mais sólido, e desagradável para uma blusa ou vestido todo estampado.



As pastas de cura por calor, por outro lado , têm um toque mais suave e macio. Depois de lavadas e amaciadas ficam melhor ainda. São o que chamamos de tinta TT - tintas translúcidas para serem estampadas sobre tecidos brancos.



Quando estampadas sobre tecidos coloridos elas se compõe com a cor do fundo formando uma terceira cor, o que muitas vezes é o que se quer. No caso da tinta preta o resultado é sempre o preto, e isto é muito utilizado, já que se tem um tecido estampado em duas cores tendo-se estampado uma única cor, o preto.



Pigmentos adicionados em excesso requerem mais fixador, o que endurece e empapela a estampa - sendo assim não adianta tentar copiar certas cores muito intensas de corante com pigmento, pois o resultado é um tecido sem caimento e endurecido e com risco de soltar tinta.


CORANTES


São tintas feitas com corantes químicos cujo resultado é normalmente excelente: cores mais vivas e vibrantes e absolutamente nenhum toque; porque mudam a cor da fibra sem acrescentar matéria sólida.



É o que se encontra nas roupas mais finas, nos lenços de seda, nas cangas de praia ( dependendo da viscosidade da pasta, a estampa aparece também do outro lado do material. São chamados de corantes reativos, usados para estampas popeline, viscose, seda, etc. Para estampar lycra e poliester usam-se os corantes ácidos.



Porque não a usamos? É um processo mais complexo e caro: o controle das cores é traiçoeiro (só se vê a cor final depois da lavagem), o material estampado tem que ser vaporizado em equipamentos que utilizam caldeiras e, depois, têm que ser lavados para descarregar o excesso de corantes.



As cores têm que ser escolhidas de cartelas previamente preparadas, que já foram lavadas e mostram as cores finais. Difícil é que novos lotes de corantes sejam fornecidos exatamente iguais aos usados para as cartelas.



Isso pode ocorrer também com pigmentos - por isso usamos sempre os pigmentos Bayer que nos oferecem uma boa consistência de resultados, e exigimos uma margem de variação de até 10% aos nossos clients.



Pode-se estampar lycra com pigmento, mas o resultado não é tão bonito. Mas, ainda assim, pode-se obter estampas muito boas com pigmentos se as cores escolhidas atendem ao desenho do cliente.



Fazemos também muitas estampas localizadas em peças de lycra cortada com tinta plastisol - como peças de biquinis, maiôs e roupas da linha aeróbica, com aplicação de glitter, esferas de vidro e brilhantes.


TRANSFER SUBLIMÁTICO


São papeis impressos com uma tinta a base de corante sublimático que, quando pressionados com calor sobre um tecido com poliéster em sua composição, transferem a estampa impressa para o tecido pelo processo de sublimação, ou seja, a passagem do estado sólido da tinta seca para o estado gasoso que, assim, tinge o material.



Existem máquinas, calandras, que trabalham com papel em rolo, que transferem a estampa continuamente para um tecido alimentado paralelamente na máquina. Como estes papeis são impressos em offset, exatamente como papel de revistas, consegue-se uma qualidade de impressão extraordinária.



Quase toda roupa de alta qualidade em tecidos com poliéster são impressos assim. Quando nos trazem uma estampa destas para copiar, a tarefa é difícil ou até impossível, seria necessário ter acesso aos fotolitos originais da estampa em questão. A única restrição é que ficamos limitados aos desenhos trazidos pelos importadores de papel de transfer ( da França e da Alemanha, em geral). Não se tem também, controle sobre a exclusividade. A não ser que se compre todo o lote de muitos milhares de metros.



No caso de estampas localizadas, ou mesmo em falsos corridos,
temos uma prensa com 1 metro por 90 cm que permite usar papeis feitos por nós numa impressora automática para papeis, ou se a quantidade justificar, mandar imprimir numa gráfica especializada, em offset, e obter um resultado excelente.


PLASTISOL


É uma tinta à base de plástico PVC. Ela pode ter um toque mais forte, o que muitas vezes é desejável pelo cliente.
Têm que ser curada numa estufa à 165º C por  3 ou 4 min. O material tem que agüentar esta temperatura sem encolher ou amarelar, ou mudar de cor. Aliás, todo material tem que ser testado antes de se encetar o corte e a impressão.



É uma tinta que tem uma qualidade maravilhosa em relação à produtividade e à mecanização da impressão: elas não secam nunca, não entopem telas, o que permite largar a tinta na tela e ir almoçar. Elas não secam, elas são curadas, e se fundem no material onde estão sendo impressas. Nos Estados Unidos, adeptos da produtividade, praticamente só se usa esta tinta. Aqui no Brasil já se está usando esta tinta há alguns anos com excelentes resultados.



Nos carrosséis automáticos só se pode usar esta tinta, pois como não secam, nem entopem as telas, a produção não é arruinada porque a tela de alguma cor entupiu e a cor ficou falhada. Além do mais, no final do expediente pode-se deixar as telas no lugar, devidamente no registro, para retomar o trabalho no dia seguinte. No nosso calor tropical, poucas peças seriam estampadas antes que as tintas à base d’água começassem a secar nas telas.


TINTA DE COBERTURA


São usadas quando se deseja estampar sobre tecidos ou malhas coloridas, sobretudo nas cores mais escuras. Podem ser TT, acrílicas ou plastisóis. Recebem, em sua composição, óxido de titânio finamente moído, o que permite obter a opacidade da tinta.



No caso das tintas à base d’água, o pigmento branco acrescenta mais um fator sério de entupimento de telas. O pigmento branco é muito maior que o pigmento colorido: como comparar uma bola de futebol com uma continha. Quando se usa tinta de cobertura as telas utilizadas precisam estar esticadas com um tecido com uma trama mais aberta, que permita a tinta fluir sem provocar entupimentos.



A tinta plastisol de cobertura não entope, e trabalha com telas onde as tintas à base d’água não poderiam ser usadas. Isto permite bons detalhes, mesmo em letras finas em branco sobre fundo escuro, ou retícula de policromia ou indexado.



As tintas de cobertura normalmente são repicadas, ou seja, estampadas como uma segunda demão, para poder efetuar uma cobertura eficiente.



Na estampa corrida procuramos usar as tintas de cobertura com parcimônia, pois não só têm um toque mais sólido devido ao depósito de mais pigmentos brancos, como não se repica estas cores. Repicar cores na estampa corrida a encareceria demasiadamente. Assim o branco fica meio “off-white”, ou um branco sujo. Se o fundo é de cor clara ou pastel a cobertura é muito boa.


TINTAS ESPECIAIS


Para confeccionar outras tintas especiais adicionamos componentes para se obter outros visuais.



Nesta categoria estão as tintas de expansão ( ou “puff” ), as tintas peroladas, onde se acrescenta um produto importado, muito caro, chamado Iriodine.



Usamos também pigmentos metalizados para conseguir tintas dourada, prateada, bronze, ouro velho. Há ainda a adição de “glitter” e purpurina. O “glitter” é uma purpurina com partículas um pouco maior. É feita normalmente em poliéster metalizado, é fornecido em várias cores além do tradicional prata e ouro.



Estas tintas podem ser usadas tanto na estampa corrida como na localizada.



A tinta plastisol é usada apenas na estampa localizada, já que  não secam em temperatura ambiente não há como fazer a cura intermediária entre as cores, o que é possível ao estampar peças cortadas.


PROCESSOS ESPECIAIS


Temos muitas estampas que utilizam processos especiais, ou uma combinação de vários processos:



Flocagem: aplica-se uma camada de flocos (usualmente de rayon) orientada eletrostaticamente, para dar um efeito de veludo ao desenho.



Esferas de vidro em diversas bitolas, dá um reflexo bonito ou simula brilhantes.



Esferas sintéticas em várias cores , permite efeitos e acabamentos interessantíssimos em composição na estampa.



Foil metálico: prensa-se uma folha metalizada, aplicando ao desenho um filme dourado, prateado ou coloridos metalizados.



Miçangas coloridas: aplica-se estes elementos em detalhes da estampa ou até num desenho pequeno, mais delicado.



Brilhantes, tachas e estrêlas Swarovsky- usadas para dar toques sofisticados e embelezar estampas.



Ainda é possível combinar estes processos, acrescentar bordados ou crochets, ou ainda folhas, fios de lã, recortes de feltro, ou o que a criatividade inventar, e a técnica permitir.



Obviamente existem custos associados a esta viagem criativa, que muitos clientes escolhem por serem de vanguarda; ou por sua clientela absorver tranquilamente este tipo de custo em nome da diferenciação. 



quarta-feira, 28 de agosto de 2013

IMPRESSÃO SERIGRÁFICA ROTATIVA


Esta tecnologia permite aplicação deste processo onde os processos convencionais não o permitem. Impressões em larga escala, alta definição e reprodução são as suas principais características. Com este processo podemos aplicar tintas com altas camadas de depósito, com pigmentos de grande dimensão, com efeitos especiais e com funções para os mais variados segmentos de mercado.
A serigrafia rotativa é muito utilizada para impressão de tecidos em geral. Podemos utilizá-la também para imprimir rótulos, etiquetas, adesivos, embalagens, materiais cerâmicos, antenas de RFAI, teclados de membranas, impressão de segurança e industrial em geral.



A matriz serigráfica utilizada para impressão é cilíndrica e utiliza tecidos metálicos (aço inox, níquel, etc), algumas matrizes chegam a alcançar tiragens de 500 mil metros.
Podemos  dividi-la em impressão banda estreita e larga. No segmento de artes gráficas, ou seja, impressão de papel ou adesivos, encontramos as telas serigráficas rotativas de banda estreita e no segmento têxtil, encontramos as de banda larga.
O princípio de impressão é o mesmo, uma tela, tinta e rodo impressor. A tela é alimentada internamente com tinta através de um sistema de bombeamento que leva e distribui uniformemente a tinta internamente na matriz. A impressão acontece quando o rodo impressor ou racle de poliuretano força a passagem desta tinta pelas áreas abertas da tela. 


MATRIZES ROTATIVAS

Existem no mercado dois tipos de tecidos que podemos utilizar neste processo, um tecido metálico, com estrutura tafetá de fios de aço inox (1:1) e um segundo  tecido formado por eletroformação de níquel, com estrutura hexagonal. Os dois maiores fornecedores mundiais de tecidos para serigrafia rotativa são a STORK PRINT da Holanda e GALLUS da Suíça.


SISTEMA GALLUS

As telas  fabricadas pela Gallus são comercializadas em formatos pré-definidos pelas máquinas impressoras, possuem em sua estrutura de tecelagem fios de aço inox revestidos por níquel, com lineaturas diversas. A tecelagem tafetá foi utilizada em sua confecção, alguns tecidos são fornecidos com tratamento de calandragem em uma de suas faces, tendo como objetivo a redução do depósito de tinta impresso. Essas telas são fornecidas com emulsão fotopolimérica aplicadas de fábrica. Para gravar basta retirar a proteção de poliéster transparente que protege a camada de emulsão e colocá-las na expositora UV em contato com o filme. Após o transporte fotográfico da imagem para tela, revelar o grafismo com jatos de água, secando posteriormente o tecido com ar quente controlado. Uma vez seco a tela, passamos para fase final de confecção da matriz rotativa, que consiste em soldar o tecido usando um equipamento especialmente projetado para esta finalidade, formando uma camisa. Agora com o tecido em forma de camisa, passamos para última fase, que consiste em colar o tecido nos anéis de alumínio laterais.




PROCESSO DE PRODUÇÃO GALLUS




SISTEMA STORK PRINT

As telas metálicas da Stork Print (Holanda), denominadas RotaMash são telas formadas por eletrodeposição, 100%  níquel, com estrutura alveolar hexagonal. Segundo informações do fabricante, esta tela tem uma durabilidade de 500 mil metros de impressão. Essas telas foram projetadas para serem utilizadas com aplicação de emulsão líquidas, podem ser utilizadas inúmeras vezes, em trabalhos diversos, uma vez que podem ser reaproveitadas com  total remoção da camada de emulsão fotográfica.




PROCESSO DE PRODUÇÃO STORK PRINT




IMPRESSÃO SERGRÁFICA ROTATIVA

Alguns equipamentos de impressão são modulares. Essas impressoras atingem uma velocidades de impressão de 125 metros/linear, podem ser instalados em linha com outros processos de impressão compatíveis do mercado, como: rotogravura, offset, flexografia, hot stamp. São chamados de impressão híbrida (multiprocessos) em linha para produção de rótulos, etiquetas, etc.
Existem também as impressoras rotativas para área têxtil, que são utilizadas para imprimir tecido a metro.




VÍDEO DA STORK PRINT


terça-feira, 6 de agosto de 2013

LER COM O NARIZ - O NOVO PAPEL DO PAPEL IMPRESSO



Será que o cinema mudo acabou por causa da trilha sonora? E a TV preto e branco terminou com a vinda da colorida? E o papel? Acabará por causa da informática? Serão os livros e as revistas irmãos do cinema mudo e da TV preto e branco? A resposta é não. Todos estes casos representam etapas de transição na evolução da história. 
A tela fria do computador é rica em imagens e sons, porém só fala com uma parte do cérebro que decodifica signos. Racional. Ao papel foi selecionado o nobre destino de falar ao cérebro das emoções. E se além das imagens lhe for atribuído cheiro, textura, ele começa a desempenhar seu novo papel: veículo de sensações. Emoções. 
A marcha inexorável da tecnologia abriu-lhe a possibilidade de ser lido com o nariz ou com a ponta dos dedos. Quanto ao velho papel só impresso, só visual, ele é sim irmão do cinema mudo e da TV preto e branco, superado perde em muito no confronto com suas novas versões, como para seus irmãos, seu destino foi selado, quando apareceu o primeiro pedaço de papel impresso com perfume nos primórdios da década de 60 do século passado. De lá para cá, crianças, jovens e adultos, quando vêem uma bela imagem impressa de uma fruta, por exemplo, não raro, passam a mão e cheiram! E abrem um grande sorriso ao constatar o aroma! Ou viram a página rapidamente se é somente o velho e sem graça papel com cara de papel.



MICROCÁPSULAS - A NOVA DIMENSÃO DA MÍDIA IMPRESSA





Na promoção a aplicação da microcápsula consiste em fazer "tintas capsulares" com pequenas porções do produto para impressão publicitária. Microencapsular significa subdividir substâncias preferencialmente não hidrossolúveis, pós ou óleos, em partículas infinitesimais colocando em sua volta uma membrana. A microcápsula é um ente que permite armazenar em seu interior substâncias como por exemplo fragrância, cosméticos, cristais líquidos, entre outros, propiciando a mágica de fazer chegar ao consumidor com grande impacto, proporções microscópicas e estabilizadas do seu produto. 


A MÁGICA DO OLFATO NA PROPAGANDA

Cada vez mais, com a criação de aromas inéditos, qualquer empresa pode emocionar o consumidor levando uma mensagem perfumada: sinta o cheirinho de pão fresco no café da manhã, a chuva que está caindo lá for a, a brisa do mar que o leva de férias ou ainda o cheiro da mata que você nem lembra mais. Além de ativar a memória, provocará reações fisiológicas como salivação (fome), estímulo sexual, medo, euforia, entre outros. Em resumo, saímos do plano bidimensional da largura x comprimento da folha de papel impressa para uma terceira dimensão: a qual só pode ser evocada por cheiros familiares da infância, caseiros, das reminiscências de férias felizes, dos espaços amplos e livres, que virtualmente ainda existem só na memória. 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

TÉCNICAS PARA FABRICAÇÃO DE TRANSFER - COLABORAÇÃO GÊNESIS TINTAS















EVITANDO O EFEITO MOIRÉ


As causas da ocorrência do efeito moiré pode ser desconhecida por alguns serígrafos. No entanto, existem procedimentos que podem reduzir ou evitar este padrão nas impressões por serigrafia. Confira a seguir algumas dicas para reduzir o moiré e, desta forma, evita eventuais perdas.
 


O efeito moiré é o principal vilão da prática serigráfica. É ocasionado pela interferência repetitiva de retículas geometricamente iguais. Este fenômeno faz com que a impressão fique descontínua, com efeitos muito perceptíveis.
Para piorar ainda mais, este efeito pode aparecer também pela inclinação incorreta entre  o filme e o tecido, neste caso, “o efeito moiré surge da coincidência do ponto da retícula com o tecido da malha”, ocasionando um segundo efeito moaré. Ninguém merece! “O moiré aparece com maior facilidade em retículas mais finas, acima de 25 linhas por centímetro. Em retículas mais abertas e tecidos mais fechados, a ocorrência do moiré é mais difícil”.

Dicas para evitar o efeito moiré

  • Escolher pontos maiores de retícula, combinando com o material que vai ser impresso;
  • Evitar retículas muito finas (acima de 28 LPC), quando a impressão utiliza tintas à base de solvente ou UV;
  • Quanto mais fina a retícula maior a probabilidade de ocorrência do moiré;
  • Esticar bem o tecido, seguindo as orientaçãoes do fabricante de tecidos;
  • Utilizar tecido tingido e emulsão de boa qualidade;
  • Usar tinta de qualidade;
  • Utilizar equipamento para impressão a vácuo de qualidade;
  • Os filmes devem ter inclinações de retículas de : 7,5º para o Preto; 37,5 para magenta; 67,5º para Cyan e 82,5º para o amarelo;
  • Escolher as retículas elípticas (AM) ou quando possível estocásticas (FM).
  

O FABRICANTE SUIÇO DE TECIDOS SEFAR, DISPONIBILIZA AOS SERÍGRAFOS UMA TABELA COM PADRÕES DE PREVENÇÃO DE MOIRÉ DE ACORDO COM A RELAÇÃO ENTRE FILME E TECIDO.